Os territórios entre arquivos e memórias são movediços e têm história

memória institucional e práticas documentais em ambientes organizacionais

  • Eliana Almeida de Souza Rezende Gestão de Informação e Memória Institucional
Palavras-chave: história, memória, memória institucional, arquivo, centro de documentação, gestão documental

Resumo

O artigo analisa historicamente a constituição das fronteiras entre História, Arquivo e Memória no Brasil contemporâneo, tomando como eixo a emergência dos centros de documentação durante o processo de redemocratização e seus desdobramentos nas práticas institucionais atuais. Argumenta-se que a expansão dos projetos de memória institucional produziu aproximações conceituais entre memória social, memória organizacional e arquivo, frequentemente responsáveis por deslocamentos metodológicos na organização documental e na interpretação histórica. A partir do diálogo entre historiografia e teoria arquivística, demonstra-se que o arquivo permanente resulta do fluxo orgânico dos documentos e da gestão documental ao longo do ciclo de vida dos registros, não podendo ser constituído retrospectivamente por decisões narrativas. O texto discute ainda os impactos dessa distinção para centros de documentação e projetos de memória institucional, defendendo que sua consistência depende da articulação entre preservação documental, pesquisa histórica e mediação cultural, condição que permite transformar documentação preservada em conhecimento socialmente compartilhado.

Biografia do Autor

Eliana Almeida de Souza Rezende , Gestão de Informação e Memória Institucional

Historiadora e especialista em preservação e conservação de fotografias. Atua no cruzamento entre história cultural, cultura material, memória e gestão da informação, investigando como objetos, imagens, arquivos e espaços urbanos se tornam suportes sensíveis de experiências históricas. Seu trabalho articula reflexão teórico-metodológica e prática profissional, com especial atenção às relações entre memória institucional, cidades, vida cotidiana e circulação de saberes. Em seus estudos e projetos, dedica-se à leitura dos vestígios do vivido — livros, fotografias, objetos e arquivos — como formas de inscrição do tempo, do afeto e da experiência social, explorando abordagens interdisciplinares que aproximam história, cultura, patrimônio e práticas documentais.

Publicado
2026-06-12
Como Citar
Rezende , E. A. de S. (2026). Os territórios entre arquivos e memórias são movediços e têm história . Memória E Informação, 10, 38-55. Recuperado de https://memoriaeinformacao.casaruibarbosa.gov.br/index.php/fcrb/article/view/300